O Joio e O Trigo selecionará quatro projetos de comunicação sobre justiça climática e sistemas alimentares, com apoio de até R$ 25 mil cada. Inscrições vão até 25 de outubro.
O Joio e O Trigo lança uma nova chamada do Programa Roçado. O objetivo é apoiar ações pontuais de comunicação comunitária e/ou popular, destinadas a comunicadores individuais, grupos e organizações. Serão selecionados quatro projetos, com apoio de até R$ 25 mil cada, para ampliar e diversificar as narrativas sobre justiça climática e sistemas alimentares.
A chamada é voltada exclusivamente a comunicadores individuais, grupos e organizações indígenas ou de povos e comunidades tradicionais. As propostas podem contemplar diferentes linguagens e formatos, como podcasts, reportagens, quadrinhos, livros, curtas-metragens, ensaios fotográficos, animações, videoclipes, performances e projetos que combinem comunicação, arte e cultura.
O objetivo é fortalecer a produção e a circulação de narrativas próprias, aproximando os efeitos das mudanças climáticas da vida cotidiana das pessoas e ampliando a presença dessas perspectivas no debate público. Serão aceitos trabalhos inéditos, em andamento ou pré-existentes que estejam em fase de conclusão ou divulgação, desde que resultem em um produto de comunicação com circulação pública.
As inscrições devem ser realizadas até às 23h59 de 25 de outubro de 2026, via formulário disponibilizado no edital. O resultado será divulgado em 9 de novembro, e a publicação final dos trabalhos está prevista para março de 2027.
Confira o edital.
Edital – Microbolsas
Contexto geral
A comunicação é uma ferramenta importante para ampliar a participação de povos, comunidades e organizações no debate público sobre mudanças climáticas, justiça climática e sistemas alimentares. No entanto, essas vozes ainda têm pouco espaço nos meios de comunicação e nas estratégias de comunicação sobre esses temas.
Vivemos uma crise ecológica e climática que já afeta profundamente a vida das pessoas e dos ecossistemas. Um quarto da biodiversidade mundial já foi extinta, e as atividades humanas são as principais responsáveis pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa.
Camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais estão entre os grupos mais afetados por essas mudanças. Seus territórios, modos de vida e formas de produzir e acessar alimentos sofrem os impactos da crise climática. Ao mesmo tempo, essas populações são reconhecidas como importantes produtoras de soluções locais e sistêmicas que podem contribuir para enfrentar a crise climática.
As respostas à crise climática envolvem uma disputa sobre quais soluções são apresentadas como possíveis e desejáveis, e essa disputa também acontece no campo da comunicação. Ainda são poucas as informações de qualidade sobre sistemas alimentares, insegurança alimentar, mudanças climáticas e justiça climática no Brasil. Ao mesmo tempo, o agronegócio tem forte presença nos meios de comunicação e na construção das narrativas sobre produção de alimentos e mudanças climáticas, enquanto outras perspectivas têm menos espaço.
Por isso, fortalecer a capacidade de povos, comunidades e organizações de produzir e difundir suas próprias narrativas sobre mudanças climáticas, justiça climática e sistemas alimentares, ampliando a diversidade de vozes presentes no debate público, é uma necessidade urgente para O Joio e O Trigo.
Contexto específico
O Programa Roçado nasceu há um ano como resposta ao momento crítico que vivemos e articula justiça climática e sistemas alimentares a partir da perspectiva de organizações, coletivos e redes que atuam com comunicação popular e comunitária e estão conectados à defesa de povos e comunidades camponesas, tradicionais, indígenas ou periféricas.
Além do suporte financeiro, os grupos apoiados participam de intercâmbios e oficinas. Cada ciclo tem duração média de um ano, com acompanhamento periódico e apoio técnico, e é realizado por meio de chamadas periódicas. Na primeira edição, o Roçado apoiou seis grupos e, na segunda, está apoiando cinco. Um dos objetivos do programa é fortalecer uma rede de comunicação que paute a justiça climática e suas correlações com sistemas alimentares.
Esta chamada se dedica a realização de produtos de comunicação, em andamento ou não, que aproximem os efeitos concretos das mudanças climáticas da vida cotidiana das pessoas e contribuam para identificar e fortalecer agendas para seu enfrentamento.
Para isso, lançamos esta microbolsa para apoiar ações pontuais de comunicação comunitária e/ou popular, destinadas a comunicadores individuais, grupos e organizações.
Ao todo, serão apoiados quatro projetos com valores até R$ 25 mil.
Objetivo
Qualificar o debate sobre mudanças climáticas e sistemas alimentares, fortalecendo iniciativas de comunicação protagonizadas por povos indígenas e comunidades tradicionais que produzem e difundem suas próprias narrativas sobre sistemas alimentares, justiça climática e seus modos de vida. A microbolsa busca ampliar as formas de abordar esses temas para além dos formatos majoritários apresentados pelo Programa Roçado, explorando outras maneiras de contar essas histórias e alcançando diferentes públicos. Por isso, a proposta adota uma noção ampliada de comunicação e contempla diferentes formatos de produção e difusão.
Público-alvo
A chamada é destinada exclusivamente a comunicadores individuais, grupos e organizações indígenas ou de comunidades tradicionais.
Formatos de microbolsa
A microbolsa aceita trabalhos inéditos, em andamento ou pré-existentes que estejam em fase de divulgação ou conclusão, sendo essencial a veiculação final de um produto de comunicação.
Adotamos uma noção ampliada de comunicação, que contempla diferentes linguagens e formatos, como podcasts, reportagens, quadrinhos, zines, revistas, livros, curtas-metragens, ensaios de fotojornalismo, ensaios audiovisuais, animações, obras sonoras, videoclipes, fotolivros, instalações, performances e projetos que combinem diferentes linguagens.
A lista de formatos é exemplificativa e não exaustiva. Serão bem-vindas propostas que experimentem outras formas de comunicar e aproximem comunicação, arte e cultura.
Atividades e dedicação
O desenvolvimento do trabalho será acompanhado por um representante do Joio, que estará disponível para apoiar o processo de produção. É esperado que o bolsista participe de pelo menos três reuniões de acompanhamento durante o período de execução do projeto.
A dedicação necessária ao desenvolvimento da microbolsa poderá variar de acordo com o tema, o formato e a experiência do comunicador ou grupo selecionado. Em todos os casos, espera-se a realização de um trabalho aprofundado, comprometido com a proposta apresentada e com o objetivo de dialogar com o público.
Resultados esperados
Espera-se que as iniciativas apoiadas:
- ampliem e diversifiquem as narrativas sobre mudanças climáticas, justiça climática e sistemas alimentares;
- fortaleçam o protagonismo de povos indígenas, comunidades tradicionais e outros grupos na produção e difusão de suas próprias narrativas;
- experimentem outras formas de comunicar esses temas, aproximando comunicação, arte e cultura;
- alcancem públicos diversos e contribuam para aproximar o debate sobre mudanças climáticas e sistemas alimentares da vida cotidiana das pessoas;
- resultem em um produto de comunicação com circulação pública.
Critérios
A avaliação das propostas pelo comitê de seleção será feita às cegas. Por isso, o formulário de inscrição não deverá conter informações que permitam identificar a pessoa, grupo ou organização proponente, como nomes ou referências à autoria de trabalhos anteriores.
Serão considerados os seguintes critérios:
- Enquadramento na temática: relação da proposta com os temas e objetivos desta chamada;
- Originalidade do olhar: capacidade de apresentar perspectivas, abordagens ou narrativas que contribuam para ampliar o debate sobre justiça climática e sistemas alimentares;
- Relevância: capacidade de abordar aspectos pouco explorados ou de trazer novas perspectivas para questões já conhecidas;
- Profundidade e consistência: qualidade da proposta, do plano de trabalho e da abordagem do tema;
- Viabilidade: adequação do plano de trabalho, cronograma e orçamento à proposta apresentada;
- Potencial de comunicação: capacidade de dialogar com públicos diversos e de produzir um trabalho com circulação pública.
Como se inscrever
A inscrição deve ser realizada por meio do formulário disponível neste link. Além de preencher todos os campos obrigatórios, a pessoa ou grupo proponente deverá anexar os seguintes documentos:
- Cronograma;
- Planilha orçamentária;
- Currículo ou portfólio.
Comitê de seleção
- João Peres | Jornalista, diretor operacional de O Joio e O Trigo;
- Tatiana Merlino | Jornalista, diretora editorial de O Joio e O Trigo;
- Inara Fonseca | Jornalista, coordenadora de projetos de O Joio e O Trigo;
- Luísa Coelho | Jornalista, gestora do Programa Roçado.
Cronograma
- 16 a 25.10 | Submissão de propostas
- 26.10 a 06.11 | Comitê de seleção formado por representante do Joio escolhe propostas vencedoras
- 09.11 | Anúncio das propostas vencedoras
- 19.11 | Assinatura de contrato
- Novembro | Reuniões iniciais
- Dezembro de 2026, janeiro e fevereiro de 2027 | Realização de reuniões de acompanhamento
- Março de 2027 | Publicação final
Valor
As microbolsas terão um valor total de R$ 25.000
Pagamento
O pagamento será feito em duas parcelas iguais. A primeira será paga no ato de assinatura da microbolsa. A segunda, após concluídas todas as etapas prévias à publicação. É necessário emitir nota fiscal ou entregar um recibo de prestador autônomo (RPA), em todos os casos arcando com os custos e a legislação vigente.
