Quem somos

Quando o fim do mundo se anuncia, o que resta é contar histórias

Se a Copa do Fim do Mundo já escolheu uma sede, esse lugar é o Brasil. E é a partir desse pressuposto e dessa urgência que O Joio e O Trigo atua: o jornalismo como uma ferramenta-chave para que a sociedade se contraponha aos poderes que estão levando ao esgotamento das vidas no planeta. 

As enormes reservas de água, as florestas inigualáveis, uma população grande e uma cultura alimentar para-lá-de-bonita fazem com que nosso país seja um espaço nevrálgico. Se existe um futuro melhor, e acreditamos que exista, esse futuro também passa pelo Brasil.

O Joio nasce em outubro de 2017 sem espaço para meias palavras: somos um projeto jornalístico que afirma a necessidade de construirmos um novo sistema econômico, que coloque o bem-estar das pessoas, dos animais e do planeta no centro. Hoje, quem está no centro são as corporações, e é disso que se trata o Joio. “Poder privado”: duas palavras tão pouco utilizadas pelo jornalismo brasileiro que até soam estranhas aos ouvidos. Entendemos que investigá-lo é a nossa missão. 

Começamos como um pequeno site, para realizar um jornalismo investigativo, abrangente e independente, com informação segura e ampla sobre a indústria de produtos ultraprocessados e seus impactos na saúde e no bem-estar das pessoas.

Afinal, comer é um ato político, com profundas implicações sociais, econômicas e ambientais. Mas muita gente desconhece e tem pouca informação para fazer escolhas conscientes sobre sua alimentação. E informação é um direito.

Resolvemos, porém, fazer dessas informações um jornalismo irreverente, contra-hegemônico, com bom humor, mas, principalmente e sempre, com rigor. Nossas reportagens resultam de muitas horas de trabalho e têm por base pesquisas científicas, profissionais consagrados, trabalho de campo, viagens,  entrevistas. Por isso, temos liberdade para “brincar” com os temas tratados: estudamos profundamente todos os assuntos em pauta.

Também “cutucamos” e estamos sempre de olho nos governos e nas políticas públicas (e na falta delas), nos lobbies dessas corporações para alcançarem seus interesses e o que está por trás de tudo isso.

Se no Brasil o agro é tudo, nada mais sensato do que investigar o setor que diz ser a indústria-riqueza, mas que, na verdade, tem acumulado mais e mais demonstrações de que é um imenso problema social, ambiental e, veja só, econômico. 

E a indústria da fumaça também não escapou: investigamos o lobby das corporações do cigarro para escapar de reformas tributárias, oferecer novos produtos com cara de “não faz mal”, entre outras coisas mais, para poder seguir exercendo o “direito” de resultar na morte de metade de seus fregueses..

Em 2020, criamos o Prato Cheio, primeiro podcast do Brasil voltado a investigações sobre alimentação. Ao longo desses anos de existência, nosso site se consolidou como uma das referências para a discussão sobre sistemas alimentares e poder privado. Publicamos livros que ajudam a fomentar o debate sobre conflitos de interesses, direito humano à alimentação e poder privado. Criamos um canal no YouTube. Realizamos ou participamos de centenas de debates, entrevistas e cursos. 

Hoje, somos um veículo jornalístico que aceita e valoriza a utopia. Que busca descolonizar o imaginário para construir saídas. Que se pauta por valores, e não por pessoas, forças político-partidárias ou econômicas. Que assume a necessidade de o jornalismo dialogar com novas linguagens e outras áreas do conhecimento. 

Semeamos informação com a esperança de ver florescer um amanhã. Sejam bem-vindes.

Fundadores

João Peres é jornalista formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). É autor de Corumbiara, caso enterrado, único livro-reportagem sobre o massacre ocorrido em 1995 em Rondônia. Foi editor e repórter da Rede Brasil Atual entre abril de 2009 e novembro de 2014, após passagens pelas rádios Jovem Pan AM e BandNews FM. Cobriu eleições, consultas populares e momentos de crise no Brasil, na Argentina, na Venezuela, na Colômbia e na Bolívia.

Moriti Neto é jornalista e professor universitário. Foi editor do site da Rede Brasil Atual, repórter e colunista da Revista Fórum – Outro Mundo em Debate – e repórter da revista Caros Amigos. Também editou e reportou em diversos jornais e sites do interior de São Paulo. Foi repórter e colunista do blog Nota de Rodapé, coletivo que venceu o prêmio Top Blog Brasil de 2012. Como professor, coordenou o projeto editorial do jornal laboratório Matéria-Prima, do curso de Jornalismo da FAAT- Faculdades, que, em edição especial sobre recursos hídricos publicada no ano de 2013, recebeu quatro premiações no Prêmio Yara de Comunicação, que celebrou os 20 anos do Comitê PCJ.

Equipe

Amanda Flora é jornalista, pós-graduanda em Ciência Política. Trabalhou com políticas públicas na cidade de São Paulo e foi trainee da Organização das Nações Unidas. Ainda atuando com política, passou por agência de comunicação corporativa. É editora de novas linguagens do Joio.

Ana Porto é mãe, advogada e pós-graduanda em Direito à Saúde pela Escola Superior de Advocacia da OAB (ESA/SP). Atuou nas áreas de Direito Civil, Empresarial e Família. Trabalhou em atendimento jurídico à população em situação de rua na cidade de São Paulo. Foi estagiária e advogada junto à Defensoria Pública do Estado de São Paulo. No Joio, é coordenadora do programa de membros Sementeira e da Lojinha.

Brenda Vidal é jornalista formada pela Fabico/UFRGS, redatora e poeta. Autora da obra Sujeita (2020), fala de música há pelo menos cinco anos, além de curtir cultura, direitos humanos e meio ambiente. Atualmente é editora de redação na Brasa Mag e gestora de redes sociais no Joio.

Bruna Bronoski é jornalista formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Como freelancer, publicou em veículos como Agência Pública, Repórter Brasil, Climate Tracker e UOL. Teve passagens pela FAO-ONU e pelo Observatório de Justiça e Conservação, onde cobriu o desmatamento da Mata Atlântica. Foi trainee e repórter na RPCTV, afiliada da Rede Globo no Paraná. Em Goiás, trabalhou como repórter de TV cobrindo agronegócio e agricultura familiar. No Joio, investiga a conexão entre mercado financeiro e Amazônia graças a uma bolsa do Rainforest Investigations Network do Pulitzer Center.

Clara Borges é designer formada pela Universidade de São Paulo. Estagiou no Estúdio Prata Design e no Instituto de Estudos Avançados da USP. É designer no Joio.

Denise Matsumoto é designer, formada pela FAU/USP. Atua desde 2007, com passagens por estúdios e agências como Moovie, Questtonó e Ideal H+K, além de também trabalhar como freelancer. É diretora de arte no Joio.

João Ambrósio é designer no Joio e artista visual, formado em Comunicação Social com habilidade em Publicidade e Propaganda, atua há mais de 6 anos na área, com passagens por agências e estúdios gráficos.

Luisa Coelho é jornalista, graduada pela Faculdade Cásper Líbero, e arte-educadora, licenciada pela UNESP. Pós-graduada em Meio Ambiente e Sustentabilidade pela FGV, atualmente cursa especialização em Teatro do Oprimido na UFBA. Trabalhou em redações jornalísticas e organizações do terceiro setor. No Joio, é produtora executiva, roteirista e pesquisadora do podcast Prato Cheio. Também atua como educadora popular junto a coletivos e movimentos.

Maíra Mathias é jornalista, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em literatura brasileira pela mesma instituição. Cobre saúde pública desde 2008, com passagens pela Fiocruz e pelo Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde. É criadora da newsletter Outra Saúde. É diretora de redação do Joio.

Mariana Costa é formada em Jornalismo e mestre em Mídia em Cotidiano pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Trabalhou para as rádios Globo e CBN, os jornais O Globo, Extra e O Fluminense, e as emissoras Record Rio e TV Globo. Foi assessora de comunicação no Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ). Atua também como pesquisadora em projetos documentais. É repórter sênior no Joio.

Tatiana Merlino é jornalista. Trabalhou na Carta Capital, Caros Amigos, Brasil de Fato e na Comissão da Verdade de São Paulo.  É fundadora da Ponte Jornalismo e da Agência Pública. Recebeu quatro prêmios Vladimir Herzog de jornalismo. Editou livros sobre a ditadura militar. No Joio, é editora de colapso climático e repórter especial.

Conselho Editorial

Ana Chã faz parte do Coletivo de Cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). É mestre em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em convênio com a Via Campesina, e autora do livro "Agronegócio e indústria cultural: estratégia das empresas para a construção da hegemonia" (Expressão Popular).

Caio Pompeia é antropólogo, pesquisador visitante na Universidade de Oxford (2021, 2022-2023), e também ligado ao Programa de Pós-Doutorado em Antropologia Social da USP. Realizou o Doutorado em Antropologia na Unicamp e o Doutorado Sanduíche na Universidade Harvard. É autor do livro Formação Política do Agronegócio (Ed. Elefante, 2021) e membro do Grupo de Estudos sobre Mudanças Sociais, Agronegócio e Políticas Públicas (CPDA/UFRRJ). Pesquisa os seguintes temas: sistemas alimentares, poder, elites, meio ambiente, política alimentar e territórios tradicionais.

Fabiana Moraes é nordestina, mãe de Mateus e professora do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco. Jornalista com mestrado em Comunicação e doutorado em Sociologia, ambos pela UFPE. Pesquisa mídia, imprensa, poder, raça, hierarquização social, imagem e arte. É vencedora de três prêmios Esso com as reportagens Os Sertões (2009); O Nascimento de Joicy (2011) e A Vida Mambembe (2007). Recebeu ainda os prêmios Petrobras de Jornalismo (2015) com a série Casa Grande e Senzala; o Embratel (2011) com o especial Quase Brancos, Quase Negros e três prêmios Cristina Tavares com Os Sertões, Quase Brancos Quase Negros e A História de Mim (2015). Lançou cinco livros: Os Sertões (Cepe, 2010), Nabuco em Pretos e Brancos (Massangana, 2012); No País do Racismo Institucional (Ministério Público de Pernambuco, 2013); O Nascimento de Joicy (Arquipélago Editorial, 2015); Jormard Muniz de Britto - professor em transe (Cepe, 2017); A pauta é uma arma de combate (2022).

Glenn Makuta é biólogo, ativista alimentar, integrante do movimento Slow Food desde 2009. Atua na coordenação de articulação de rede pelo Núcleo Gestor da Associação Slow Food do Brasil. Representa o movimento em coletivos de organizações da sociedade civil como a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, a Comissão Organizadora da Conferência Popular de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e o Grupo de Trabalho Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia.

Mariama Correia é uma jornalista olindense. Atualmente é editora e repórter da Agência Pública de jornalismo investigativo. Antes, foi repórter do coletivo de jornalismo investigativo Marco Zero Conteúdo e do jornal Folha de Pernambuco. Pesquisa jornalismo local e desertos de notícias no Nordeste no Atlas da Notícia, um censo do jornalismo no Brasil. Também é cofundadora da Cajueira, curadoria de conteúdos do jornalismo independente nos estados do Nordeste.

Mélissa Mialon é doutora e Professora Pesquisadora Assistente da Trinity College Dublin, na Irlanda, e Pesquisadora Honorária da Universidade de São Paulo, no Brasil. Sua pesquisa se concentra nas determinantes comerciais da saúde, particularmente nas práticas usadas pelas corporações para influenciar as políticas, pesquisas e práticas de saúde pública. Mialon é uma das coordenadoras da rede “Governança, Ética e Conflitos de Interesse em Saúde Pública” (GECI-PH). Ela publicou o livro "Big Food & Cie", em francês, em outubro de 2021.

Joice Bonfim é integrante da Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais no Estado da Bahia, mestra em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA-UFRRJ). Atua no campo da assessoria jurídica popular a povos e comunidades tradicionais e movimentos rurais. É colaboradora da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, tendo atuado ativamente na construção da Sessão Cerrado do Tribunal Permanente dos Povos e na formulação da denúncia do crime de Eco-Genocídio imputado ao Estado Brasileiro.

Conselho Fiscal

Ana Carolina Navarrete é advogada e cientista social, mestre em Direitos Humanos e conselheira nacional de saúde.

Anamaria D’Andrea Corbo é diretora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz. Fez graduação em odontologia pela Universidade Federal Fluminense, possui especialização em educação profissional pela Fiocruz, tem mestrado em psicossociologia de comunidades e ecologia social pela Universidade Federal Fluminense e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires, Argentina. Com experiência na gestão pública estadual e municipal da Estratégia de Saúde da Família, se dedica ao estudo da relação entre modelos de desenvolvimento e as políticas de educação, saúde e trabalho.

Guilherme Borducchi é graduado em Publicidade e Propaganda pela ECA-USP, tem MBA em Gestão de Meios de Comunicação pela Universidade de Navarra na Espanha e é um micro agricultor, empreendedor e criador. Trabalhou como estrategista de campanhas em pautas relacionadas ao clima para organizações como Purpose, WWF-Brasil e Greenpeace. Co-fundador e voluntário desde 2013 da Horta comunitária urbana do Centro Cultural São Paulo, passou a dedicar seu tempo ao trabalho de fortalecimento da agroecologia e trabalhando em projetos por um sistema alimentar mais justo. Hoje coordena o Gente que Planta, plataforma piloto que nasce para apoiar a formação de uma nova geração de agricultoras e agricultores.