Juçara, um símbolo de resistência

Da palmeira juçara é extraído um palmito que sempre integrou a alimentação de povos tradicionais. Até que foi transformado por colonizadores em produto exótico de sabor “refinado”. Considerada uma das espécies-chave da Mata Atlântica por garantir a alimentação de dezenas de tipos de animais diferentes, foi mote para uma série de proibições legais, que, impostas, afetam modos de vida de comunidades rurais, caiçaras, quilombolas e indígenas. Hoje há outras maneiras de tirar sustento por meio da espécie. Resta saber se as políticas públicas vão acompanhar o empenho e se o mercado vai permitir.

Não bastava tirar um elemento da cultura alimentar de povos tradicionais, é preciso destruí-los! A transformação da palmeira juçara em produto por meio do palmito explorou, criminalizou e penalizou pessoas que têm no cerne de sua cultura e modos de vida o extrativismo. Trouxe também uma série de proibições que vão além do corte e comercialização, mas impede pessoas de construir casas e fazer roça. Com isso, não apenas sementes e espécies são perdidas, mas toda uma cultura que é intrinsecamente conectada ao território. 

Entrevistas:

  • Dauro Marques do Prado, morador da Jureia e integrante da coordenação nacional das comunidades tradicionais caiçaras e do fórum de povos e comunidades tradicionais do Vale do Ribeira
  • Renata Barroso, engenheira florestal e pesquisadora sobre a juçara
  • Helena Rosa Teixeira (Dona Neca), ex-palmiteira e moradora da comunidade do Guapiruvu, em Sete Barras, no Vale do Ribeira
  • Andrew Toshio Hayama, defensor público no Vale do Ribeira, mestre em direito socioambiental pela PUC e doutorando em direito agrário pela Universidade Federal de Goiás
  • Daniele Elias Santos, moradora e uma das lideranças do Quilombo do Campinho da Independência
  • Gilberto Ohta, uma das principais lideranças do Guapiruvu
  • Geraldo Xavier de Oliveira, morador e produtor rural no bairro do Guapiruvu

Fontes de informação citadas no episódio

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Roteiro, pesquisa e narração Luisa Coelho | Edição e Criação de Som Victor Oliveira | Produção-executiva Luisa Coelho | Design Denise Matsumoto & Clara Borges | Mídias Sociais Nathália Iwasawa & Amanda Flora

Trilha sonora adicional Blue Dot Sessions; Victor Oliveira; Mestre Zé Pereira; Coro dos Jongueiros; José Antônio Marcondes Filho (Totonho); Francisco Roberto dos Santos (Chico Custódio); José Carlos dos Santos (Zé Carlos)

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