Empresas-fantasma, paraísos fiscais e operações de mentirinha: as fabricantes de ultraprocessados fazem de tudo pra fugir do pagamento de impostos

Essa é uma pergunta que o Joio vem tentando responder há tempos. Nosso projeto estreou em outubro de 2017 mostrando a mamata dos fabricantes de refrigerante da Zona Franca de Manaus. Ambev e Coca-Cola, principalmente, chegaram a ganhar ao menos R$ 7 bilhões anualmente cobrando créditos sobre impostos nunca pagos.

De lá para cá, falamos sobre impactos à saúde pública, problemas trabalhistas, interferência na produção científica e a montanha de lixo produzida anualmente por quem fabrica biscoito, bolacha, batata chip, miojo, refrigerante, achocolatado e comida congelada. 

Tudo isso pesa sobre o sistema de saúde, sobre a previdência social, e implica outros gastos para o poder público, muitas vezes difíceis de calcular. Mas e quando o problema está retido na fonte? Ou seja, na contribuição que essas empresas deveriam dar, mas da qual estão conseguindo escapar?

Com a série “A Conta da Indústria”, buscamos entender e mostrar o custo do modus operandi dessas companhias sobre a arrecadação tributária.

Ser exaustivo seria praticamente impossível, e demandaria o esforço de dezenas de pessoas. A intenção desse trabalho é, assim, apresentar um conceito geral e uma série de exemplos de como as corporações do setor oneram os cofres públicos e a sociedade. 

Spoiler: as histórias incluem subsídios, operações artificiais, utilização de empresas fantasma em paraísos fiscais e muita, mas muita, enrolação. Tudo isso pra diminuir o pagamento de impostos, prejudicando o Estado, os serviços públicos e, é claro, o cidadão. 

Seja bem-vindo, e tente não se assustar.

Operação resultou na criação da Inbev, que depois se tornaria a maior cervejaria do mundo

Só em 2020, engarrafadora Solar poupou R$ 60 milhões no estado. Valor seria suficiente para dobrar programa de combate à fome e reformar duas vezes hospital de referência em doenças respiratórias

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